Texto do Blog "Acervo Origens"
O Grupo da Quixabeira, que acabou se tornando uma das organizações mais importantes para a música e a cultura populares do recôncavo Baiano, surgiu em 1989, com o intuito de gravar este disco.
O grupo é formado pela reunião de aproximadamente quinze comunidades rurais, localizadas nas proximidades de Feira de Santana. A produção do disco, contudo, contou com a participação de apenas seis dessas comunidades, sendo elas: Lagoa da Camisa, Matinha dos Pretos, Subaé, Boa Vista II, Tapuio e Valente). A gravação do disco forçou uma organização das comunidades que gerou outros resultados, como o desenvolvimento de trabalhos musicais independentes, por parte de cada uma delas.
Os cantos que compõem o disco são músicas presentes no dia-a-dia do campo. Há, portanto, cantos de trabalho, cantigas entoadas em festas religiosas e em outras ocasiões festivas. O disco é um registro importante das tradições culturais do nordeste, porque serve de suporte da memória de uma série de gêneros e ritmos musicais de transmissão oral, tais como o aboio, o samba de roda, os batuques da roça, as cantigas de roda, a chula, o reisado, a bata de milho e de feijão, o boi de roça, entre outras manifestações culturais sertanejas. A maioria delas são canções passadas de mãe para filha, de pai para filho, de mestre para discípulo. Assim, as melodias são belíssimas, porque foram sendo aperfeiçoadas de geração em geração, em verdadeira criação coletiva da música. Esse é um patrimônio sem preço, cheio de beleza e história.


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