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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O QUE O VENTO NÃO LEVOU


No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as
                                     [únicas
que o vento não conseguiu levar:
 
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...
 
 
 
Mario Quintana
do livro a Cor do Invisível (1989)

OS POEMAS


Os poemas são como pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão
Eles não tem pouso
nem porto
alimentam-se um instante, em cada par de mãos
e partem
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
 
Mario Quintana
do livro “Esconderijos do Tempo” (1980)