Tópicos de discussão:
- Tradições culturais de lugares em que vivemos ou pessoas que conhecemos.
- Conceito de sustentabilidade sendo usado como estratégia de marketing justamente por empresas que agridem o meio ambiente.
- Diferença na relação com o tempo entre a capital e do interior, o urbano e o rural, ou até o mais urbano e o menos urbano.
- Relações humanas nas cidades, colocou-se que ela é mais é mais agressiva, impaciente e individualista quando comparada a outras realidades menos urbanas que alguns de nós já conhecemos e vivemos (ex: a Minas da Amanda). Talvez em função também da relação com o tempo, do ritmo de vida.
- Como nosso show pode levar o público a uma experiência do tempo diferente da cotidiana. Ideias: andamento das mnúsicas, ritmo do show, objetos cênicos.
- Letras das canções, falam de uma relação harmônica e idílica com o meio ambiente, em nenhuma delas existe crítica ou conflito.
A partir disso chegamos aos seguintes apontamentos:
- Duas questões surgem como mais importantes até o momento na nossa pesquisa/reflexão:
1) O tempo, especialmente o contraste entre o ritmo de vida da grande São Paulo e o de cidades menores ou regiões rurais.
Essa questão vem surgindo recorrentemente nas nossas conversas.
2) A relação do indivíduo com o natural, que inclui a relação dele com o meio ambiente, com a natureza, com outros indivíduos...
Essa questão está evidente nas letras das canções do nosso repertório.
- Uma das linhas de nossa pesquisa parte da biografia dos nossos compositores, já conversamos sobre João Pacífico, Renato Teixeira e Vital Farias, faltam Xangai, Hélio Contreiras e Gil.
E algumas tarefas:
1) Escrever algo sobre as relaçôes marcantes entre você e o "natural", ou a natureza, num sentido bem amplo, inspirados pelo vídeo do João Pacífico, essas relações podem estar no passado (injfância) ou no presente, o que for mais forte pra você como memória/experiência.
2) Pesquisar com quais manifestações da cultura popular os compositores do nosso repertório travaram contato nos seus lugares de origem, tentar encontrar onde existem hoje essas manifestações e se é possível para nós entrar em contato com elas.
3) Montar um calendário de datas de apresentações/exposições/palestras etc que sejam pertinentes a nossa pesquisa, podemos fazer isso mandando um e-mail uns para os outros, quem tiver um evento para acrescentar modifica o e-mail, acrescentando evento/local/dia/horário/custo/etc e re-envia para todos.
4) Conhecer biografia de autores de Carneirinhos (Xangai / Hélio Contreiras) e Xote (Gilberto Gil), além de ler o texto que a Lisi enviou sobre a questão da cultura sertaneja ou caipira.5) Precisamos começar a levantar propostas sobre como nosso show pode dialogar com as duas questões (tempo e relação com o "natural") que citei acima através do cenário / figurino / letras / ritmos / melodias / dinâmica do show / relação com o público / diálogos / recepção do público / etc... Faremos um Brainstorm sobre isso no próximo encontro.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
Carneirinhos - Xangai, Helio Contreiras e Cecília Meireles
Vídeo onde é entrevistado por Chico Pinheiro, falando de suas origens e influências e canta um aboio na abertura.
Chico Pinheiro: "Mas de onde é que vem essa inspiração, porque você teria tudo pra seguir ou a música tradicional do nordeste brasileiro ou os sucessos dos grandes cantores como Orlando Silva, essa coisa toda. Por que que você foi pra essa vereda aí?"
Xangai: "Porque eu não posso me queixar de ser órfão cultura, porque eu sou, todo brasileiro, nós somos filhos de Dorival Caymmi, de Capiba, de Luis Gonzaga, de João do Vale, de Marinês, de Jacinto Silva, de Jackson do Pandeiro, de Adoniran Barnosa. Então minha referência são os mestres, os poetas como Manuel Bandeira, como Castro Alves, a história, o presente que Guimarães Rosa deixou pra nós. Então eu bebo nessa fonte, e eu canto a minha circunstância, a nossa realidade."
Vídeo onde Xangai fala sobre os arredores do Rio Jundiá e sobre a lenda do Rumãozinho.
Carneirinhos
Xangai - Eugênio Avelino
Nasceu em 20 de Maio de 1948, na zona rural do município de Itapebi, às margens do Rio Jundiá, afluente do Jequitinhonha, no extremo sul da Bahia.
Durante sua infância, a família mudou para Minas Gerais. Em Nanuque, o pai abre uma sorveteria, a Xangai, que lhe inpiraria o nome artístico.“Eu sempre fui um artista. Canto desde garoto”.
Helio ContreirasJornalista e escritor, compositor e cantador, Hélio Contreiras, a par de sua atividade profissional, sempre esteve ligado à música de raiz. Suas composições já foram gravadas por mais de uma dezena de cantadores e intérpretes.
Augusto Jatobá, que produziu o LP "Esturro da Onça" há 15 anos, é quem melhor define o amigo: Hélio Contreiras é um desses maratonistas que, desde a década de 60, vêm andarilhando por esta vida estradeira, sem fazer concessões aos modismos enganadores, fiel que sempre foi ao seu povo e às suas raízes sertaneja….
O album foi gravado em 1991, com as participações especiais dos baianos Elomar, Val Macambira e do próprio Xangai. Além de Estampas Eucalol, o repertório inclui as conhecidas Pulo do Gato, Mutirão da Vida e Corisco e Dadá.
Baiano de Rio de Contas, Chapada da Diamantina, Contreiras herdou a musicalidade de seu pai, o velho Abílio, que tocava vários instrumentos de sopro e corda. Na família Contreiras de Almeida são inúmeros os músicos, destacando-se entre outros sua filha, a musicista Kátia Almeida, responsável pelos arranjos e direção do excelente Sonho de Criança; o exímio violonista e chorão Augusto Contreiras e o sobrinho Reco do Bandolim, presidente do Clube do Choro de Brasília, que tem disco lançado pela Kuarup (Choro Livre).
Já passado dos 70 anos, continua em plena atividade, escrevendo e compondo. Acaba de lançar o livro Conto um Conto e Aumento um Ponto e colocou o ponto final no romance Terra Bruta. Na área musical, está fazendo uma releitura de suas músicas, algumas compostas há mais de trinta anos. Perguntado sobre este milagre, costuma responder: a criação não se aposenta, quem fica velho é o tempo, não eu!
Cecília Meireles
Algumas informações sobre a poetisa Cecília Meireles, autora do poema utilizado por Xangai, cujo depoimento ao final dialoga com as questões levantadas pela Renata (relações urbano x natureza):
Cecília Meireles foi também estudiosa do folclore: "O Movimento Folclórico, como mostra Luís Rodolfo Vilhena (Vilhena. 1997), tinha como base central a Comissão Nacional do Folclore (CNFL), instituição para-estatal criada em 1947 por Renato Almeida, que ocupava então um alto cargo no Ministério das Relações Exteriores, como chefe do Serviço de Informações no Itamaraty. A UNESCO, criada em 1946 no contexto do pós-guerra, definiu que seus países membros deveriam constituir organizações nacionais de cooperação junto às respectivas delegações. Uma de suas atribuições seria, precisamente, o impulso ao movimento folclórico, visto como uma das formas de reconhecer e valorizar positivamente as diferenças culturais entre os povos, e podendo assim atuar como um instrumento importante para evitar que se repetissem os horrores da guerra, em grande parte vistos como fruto da intolerância, do racismo e do etnocentrismo. Atendendo a essa recomendação, o Brasil criou o Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura, dirigido por Renato Almeida.
(...) Ainda que não se envolvesse profundamente com sua política institucional, realmente não foi pequena a participação de Cecília Meireles nos eventos e organizações do Movimento Folclórico. Cecília foi integrante da Comissão Nacional de Folclore desde sua instalação, em 1947, tendo feito diversos pronunciamentos e escrito artigos e estudos nesta área. " Cecília apresenta de maneira bastante explícita suas relações com o folclore no discurso realizado na III Semana de Folclore, em 1950: “Eu vim como uma pessoa que, cansada de buscar caminhos para que os homens se entendam em outros setores de atividades intelectuais, procura no folclore, talvez, um caminho mais ameno, talvez um caminho mais possível, procurando que os homens encontrem no folclore a solução para muitos de seus problemas, pela compreensão das suas origens, da sua identidade, daquilo que neles é transitório e também daquilo que neles é permanente.” (Apud. Almeida. 1964, p.7)
Canção de Xangai e Hélio Contreiras, baseada no Poema de Cecília Meireles, pertencente ao livro "Ou isto ou aquilo", publicado em 1964. Gravada no disco "Que qui tu tem, canário", de 1981.
Xangai - Eugênio Avelino
Nasceu em 20 de Maio de 1948, na zona rural do município de Itapebi, às margens do Rio Jundiá, afluente do Jequitinhonha, no extremo sul da Bahia.
Durante sua infância, a família mudou para Minas Gerais. Em Nanuque, o pai abre uma sorveteria, a Xangai, que lhe inpiraria o nome artístico.“Eu sempre fui um artista. Canto desde garoto”.
O chapéu que usa nos palcos da vida, não engana: como seu pai, ele é vaqueiro. “Eu sou da linha dos pastores, dos cuidadores de rebanhos de cabra, gado, sou vaqueiro também e adestrador de cavalos”. Viveu tempos na fazenda do seu primo, o compositor e cantor Elomar. E esse encontro foi decisivo na sua formação artística. É um dos melhores intérpretes das suas canções.
Em 1973 mudou-se para o Rio de Janeiro onde viveu por mais de dez anos. Começou a estudar na Faculdade de Economia, mas desistiu para se dedicar à música.
“O que eu canto é a presença de minha própria realidade. Eu não me sinto muito confortável em cantar músicas de outros povos longe daqui, principalmente dos países ricos, tão em moda, tão apregoados, cantados e decantados por muitos brasileiros, inclusive. Eu acho muito melhor cantar músicas de Cartola, Dorival Caymmi, Luiz Gonzaga, João do Valle, Jackson do Pandeiro do que dos Estados Unidos ou da Inglaterra. (…) Acho que eles também não ficam cantando Paulinho da Viola”.
Xangai gravou seu primeiro disco, Acontecivento, em 1976, para a CBS (o único disco que gravou para uma grande editora), com canções como Asa branca, um clássico de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, Forró de Surumbim, Marcha-rancho, etc.
A sua discografia, de mais de quarenta títulos, inclui Parceria Malunga (1981), em conjunto com Elomar, Arthur Moreira Lima e outros; Mutirão da vida (1984), com direcção musical de Jaques Morelenbaum; Cantoria 1 (1984), que regista ao vivo o espectáculo que com Elomar, Geraldo Azevedo e Vital Farias apresentou no Teatro Castro Alves, em Salvador; Cantoria 2 (1985), com o mesmo grupo do disco anterior; Xangai lua cheia-lua nova (1991); Aguaterra (1996); Cantoria de Festa (1997), com músicas festivas que fazem alusão às festas populares dedicadas a São Pedro, Santo António e São João nos estados nordestinos, que recebeu o Prémio Sharp de Melhor Disco do Ano; Um abraço para ti, pequenina (1998) só com músicas de compositores paraíbanos; Brasilerança (2002) com o Quinteto da Paraíba onde consta a canção ABC do preguiçoso (Ai d’eu sodade), um dos seus maiores êxitos; Cantoria brasileira (2002), no seguimento do espectáculo que apresentou no Teatro da UFF, em Niterói, comemorativo dos 25 anos da sua editora, a Kuarup; Nois é jeca mais é jóia com Juraildes da Cruz. Em 2006 foi lançado o seu primeiro DVD, Estampas Eucalol que recolhe paraalém de um espectáculo ao vivo no Rio de Janeiro, uma entrevista ilustrada com depoimentos e números musicais.É autor, desde há anos, do programa “Brasilerança”, que ele próprio apresenta todos os domingos na TVE-Bahia e na Rádio Educadora da Bahia.
Recebeu o prémio Chiquinho Gonzaga, o título de Cidadão Paulistano, conferido pela vereação de São Paulo
Em 1973 mudou-se para o Rio de Janeiro onde viveu por mais de dez anos. Começou a estudar na Faculdade de Economia, mas desistiu para se dedicar à música.
“O que eu canto é a presença de minha própria realidade. Eu não me sinto muito confortável em cantar músicas de outros povos longe daqui, principalmente dos países ricos, tão em moda, tão apregoados, cantados e decantados por muitos brasileiros, inclusive. Eu acho muito melhor cantar músicas de Cartola, Dorival Caymmi, Luiz Gonzaga, João do Valle, Jackson do Pandeiro do que dos Estados Unidos ou da Inglaterra. (…) Acho que eles também não ficam cantando Paulinho da Viola”.
Xangai gravou seu primeiro disco, Acontecivento, em 1976, para a CBS (o único disco que gravou para uma grande editora), com canções como Asa branca, um clássico de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, Forró de Surumbim, Marcha-rancho, etc.
A sua discografia, de mais de quarenta títulos, inclui Parceria Malunga (1981), em conjunto com Elomar, Arthur Moreira Lima e outros; Mutirão da vida (1984), com direcção musical de Jaques Morelenbaum; Cantoria 1 (1984), que regista ao vivo o espectáculo que com Elomar, Geraldo Azevedo e Vital Farias apresentou no Teatro Castro Alves, em Salvador; Cantoria 2 (1985), com o mesmo grupo do disco anterior; Xangai lua cheia-lua nova (1991); Aguaterra (1996); Cantoria de Festa (1997), com músicas festivas que fazem alusão às festas populares dedicadas a São Pedro, Santo António e São João nos estados nordestinos, que recebeu o Prémio Sharp de Melhor Disco do Ano; Um abraço para ti, pequenina (1998) só com músicas de compositores paraíbanos; Brasilerança (2002) com o Quinteto da Paraíba onde consta a canção ABC do preguiçoso (Ai d’eu sodade), um dos seus maiores êxitos; Cantoria brasileira (2002), no seguimento do espectáculo que apresentou no Teatro da UFF, em Niterói, comemorativo dos 25 anos da sua editora, a Kuarup; Nois é jeca mais é jóia com Juraildes da Cruz. Em 2006 foi lançado o seu primeiro DVD, Estampas Eucalol que recolhe paraalém de um espectáculo ao vivo no Rio de Janeiro, uma entrevista ilustrada com depoimentos e números musicais.É autor, desde há anos, do programa “Brasilerança”, que ele próprio apresenta todos os domingos na TVE-Bahia e na Rádio Educadora da Bahia.
Recebeu o prémio Chiquinho Gonzaga, o título de Cidadão Paulistano, conferido pela vereação de São Paulo
pelo que apresenta e acrescenta na cultura daquele estado brasileiro, entre numerosas outras distinções.
Um dos principais cantadores e violeiros do Brasil, com uma voz forte a agreste, que vai do grave ao agudo,
no seu repertório avultam as canções nordestinas, de raiz popular, como os xotes, baiões, forrós, cocos, repentes, mas também as canções românticas e óperas do nordeste. De uma personalidade cultural única, forte e bem definida, “não se rende aos interesses da mídia nem se vende às amarras propostas pela indústria fonográfica da actualidade”.
Para Xangai, a diferença entre ser um cantador e um cantor vai além de uma simples questão morfológica.
O cantador, tal como se define a si próprio, é o que exprime a sua arte de forma verdadeira, de dentro para fora, sem concessões às modas ou ao mainstream. “Uma música que não tem uma ‘sustância’, não tem conteúdo poético, nem coisa que ficará. É uma armação, modelo descartável”, diz.
"Eu só canto o que me invade. Eu sou exigente, sou um filtro. O que eu quero é mostrar, não importa como. Sou o porta-voz dessas pessoas que não estão tendo a oportunidade devida", disse o cantor baiano em entrevista telefônica à Folha.
Helio Contreiras
Augusto Jatobá, que produziu o LP "Esturro da Onça" há 15 anos, é quem melhor define o amigo: Hélio Contreiras é um desses maratonistas que, desde a década de 60, vêm andarilhando por esta vida estradeira, sem fazer concessões aos modismos enganadores, fiel que sempre foi ao seu povo e às suas raízes sertaneja….
O album foi gravado em 1991, com as participações especiais dos baianos Elomar, Val Macambira e do próprio Xangai. Além de Estampas Eucalol, o repertório inclui as conhecidas Pulo do Gato, Mutirão da Vida e Corisco e Dadá.
Baiano de Rio de Contas, Chapada da Diamantina, Contreiras herdou a musicalidade de seu pai, o velho Abílio, que tocava vários instrumentos de sopro e corda. Na família Contreiras de Almeida são inúmeros os músicos, destacando-se entre outros sua filha, a musicista Kátia Almeida, responsável pelos arranjos e direção do excelente Sonho de Criança; o exímio violonista e chorão Augusto Contreiras e o sobrinho Reco do Bandolim, presidente do Clube do Choro de Brasília, que tem disco lançado pela Kuarup (Choro Livre).
Já passado dos 70 anos, continua em plena atividade, escrevendo e compondo. Acaba de lançar o livro Conto um Conto e Aumento um Ponto e colocou o ponto final no romance Terra Bruta. Na área musical, está fazendo uma releitura de suas músicas, algumas compostas há mais de trinta anos. Perguntado sobre este milagre, costuma responder: a criação não se aposenta, quem fica velho é o tempo, não eu!
Cecília Meireles
Algumas informações sobre a poetisa Cecília Meireles, autora do poema utilizado por Xangai, cujo depoimento ao final dialoga com as questões levantadas pela Renata (relações urbano x natureza):
Cecília Meireles foi também estudiosa do folclore: "O Movimento Folclórico, como mostra Luís Rodolfo Vilhena (Vilhena. 1997), tinha como base central a Comissão Nacional do Folclore (CNFL), instituição para-estatal criada em 1947 por Renato Almeida, que ocupava então um alto cargo no Ministério das Relações Exteriores, como chefe do Serviço de Informações no Itamaraty. A UNESCO, criada em 1946 no contexto do pós-guerra, definiu que seus países membros deveriam constituir organizações nacionais de cooperação junto às respectivas delegações. Uma de suas atribuições seria, precisamente, o impulso ao movimento folclórico, visto como uma das formas de reconhecer e valorizar positivamente as diferenças culturais entre os povos, e podendo assim atuar como um instrumento importante para evitar que se repetissem os horrores da guerra, em grande parte vistos como fruto da intolerância, do racismo e do etnocentrismo. Atendendo a essa recomendação, o Brasil criou o Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura, dirigido por Renato Almeida.
(...) Ainda que não se envolvesse profundamente com sua política institucional, realmente não foi pequena a participação de Cecília Meireles nos eventos e organizações do Movimento Folclórico. Cecília foi integrante da Comissão Nacional de Folclore desde sua instalação, em 1947, tendo feito diversos pronunciamentos e escrito artigos e estudos nesta área. " Cecília apresenta de maneira bastante explícita suas relações com o folclore no discurso realizado na III Semana de Folclore, em 1950: “Eu vim como uma pessoa que, cansada de buscar caminhos para que os homens se entendam em outros setores de atividades intelectuais, procura no folclore, talvez, um caminho mais ameno, talvez um caminho mais possível, procurando que os homens encontrem no folclore a solução para muitos de seus problemas, pela compreensão das suas origens, da sua identidade, daquilo que neles é transitório e também daquilo que neles é permanente.” (Apud. Almeida. 1964, p.7)
terça-feira, 5 de abril de 2011
VAI - reunião em 16 de março de 2011
Conclusões da primeira reunião, em 16 de março de 2011
"Foi muito importante esta reunião porque concluímos que nosso trabalho é muito pertinente e que principalmente alguns estudiosos colocam que as pessoas que moram na cidade consegue enxergar melhor as maravilhas do campo do que quem lá vive, isto comprova em partes o motivo dos compositores que escolhemos terem esta relação forte com o campo, já que vivem na cidade e podem ver este meio sob outro prisma." (Renata)
COMPOSITORES URBANO-NATUREZA (Renata)
O grupo Balaio Brasileiro, na incursão de suas pesquisas, seguiu conhecendo um pouco sobre vida e obra de alguns compositores que se relacionam com este cancioneiro popular. Detectou-se que a maioria possui uma vida urbana e uma ligação com o meio rural ou com elementos da natureza."(...)as virtudes do campo requerem sua anti-imagem, a cidade, para acentuar as diferenças e vice-versa. (...)" p. 117topofilia. Muitos somente nasceram neste meio e logo se mudaram para as grandes cidades. Todavia, esta ligação com o campo foi muito forte, sendo latente em suas composições, independentemente da região que são oriundos, conquanto os compositores pesquisados são do eixo sudeste – nordeste. Não apresentam o estereótipo do matuto, caipira, conforme o imaginário popular coloca na figura representante, que é o Jeca Tatu. As composições apresentam muito desta vida simples e bucólica. “Esta interação homem/natureza está no cerne dos estudos urbanos da ecologia que não privilegia o homem ou o meio ambiente, mas a relação que se estabelece entre eles, no esforço que o primeiro faz para encontrar as condições adequadas para sua sobrevivência física, social, cultural, econômica e política. Nesta relação, o homem concretiza suas potencialidades criativas, seu trabalho e suas relações socioculturais como instrumentos de mediação entre as expectativas de subsistência e as reais características ambientais. Nesta interação, a natureza apresenta-se como realidade ambiental transformada e adaptada às necessidades humanas; os ecossistemas urbanos se caracterizam por esse processo de transformação e de complexa instabilidade." P. 62 livíaoliveira
Vale ressaltar também que a maioria destes compositores receberam influência de outras vertentes musicais como o samba, a bossa nova, a tropicália e os contextos vividos também apresentam muita diferença com o que é composto, pois alguns viveram na época da semana de arte moderna, a era do rádio, Juscelino Kubistchek e seu famoso plano de metas, com um rápido desenvolvimento industrial do país, o advento dos meios de comunicação de massa, com destaque para a televisão; a introdução acentuada da cultura americana.
Pergunta-se: por que a paisagem urbana não suscita a inspiração destes compositores? O homem vive no meio urbano, sonhando de fato com uma vida mais tranquila no campo e através da música ele relata este anseio. Pode ser um fator.“Quando uma sociedade alcança um certo nível de desenvolvimento e complexidade, as pessoas começam a observar e apreciar a relativa simplicidade da natureza. (...)” p. 118topofilia
As cidades, nos moldes em que são constituídas, possuem uma falta de diversidade, de cores, uma imobilidade, uma insensibilidade que não atinge o âmago da alma do poeta. Um arranha-céu pode conferir uma vista ampla da cidade, que pode ser bonita, todavia nada supera a beleza dos elementos naturais, sejam eles quais for, a beleza da terra, do solo, que gera vida de plantas, animais, bem como a água, em sua imensidão de mistérios. "Durante o século dezoito o erudito europeu deificava a natureza. Para os filósofos e poetas, em particular, a natureza chegou a representar sabedoria, conforto espiritual e santidade; supunha-se que as pessoas podiam derivar dela entusiasmo religioso, retidão moral e uma compreensão mística do homem e de Deus. (...)" p. 123topofilia
Questão: Como criar uma relação de espaço-tempo que faça com que o público compartilhe/desfrute destas sensações/remanescências da relação entre compositor e natureza? (Julius)
Patricia: "Começamos um show já pensando no final..." (Como podemos nos posicionar mais presentes no tempo enquanto estamos fazendo uma canção?)
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