quarta-feira, 26 de setembro de 2012

As diversas facetas de nossa cultura popular
 
Cada vez que leio, ouço ou vejo algo relacionado a cultura popular brasileira mais me encanto e percebo o quão rica e incrível ela pode se apresentar. Assistindo ao documentário TERRA DEU, TERRA COME, que pode ser visto a partir deste link http://www.youtube.com/watch?v=HP4lxu404vg, me deliciei com uma diversidade de histórias de um povo que apesar das adversidades não perde sua ligação com as raízes ancestrais, com seu cerne mais íntimo. Este ano, escolhi para realizar algumas viagens fora do Brasil para conhecer um pouco de culturas ancestrais e a partir daí comecei a entender muitas coisas da nossa cultura que havia estudado ao longo destes anos e entendi porque muitas congadas, folia de reis, moçambiques, jongos, ainda resistem nestes indos e vindos de século 21 e ainda há muito a ser desvendado deste universo mágico da cultura brasileira.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O QUE O VENTO NÃO LEVOU


No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as
                                     [únicas
que o vento não conseguiu levar:
 
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...
 
 
 
Mario Quintana
do livro a Cor do Invisível (1989)

O Tempo do Silêncio


    Havia um tempo em que os homens eram diferentes de agora. A sua visão era muito mais aguçada, a sua escuta era afinadíssima e não havia o mais leve cheiro que pudesse lhes  escapar. Aliás, para ser preciso, não havia nada que lhes pudesse fugir: sentiam tudo. Quando as ondas se quebravam contra as rochas distinguiam com clareza o som de cada pequena gota; quando os grilos cantavam distraídos pelas noites de verão, os homens acompanhavam sem esforço o ruído de suas perninhas. Não perdiam de vista os germes, sempre prontos para dar o bote, e se divertiam ao ouvir o açúcar se dissolver no café. E este dom não se limitava as coisas próximas: estava entre suas habilidades contar as árvores no fundo de um vale e escutar o ressoar de sinos de lá do mar. Até que um dia, um deles se deu conta de que desse jeito as coisas não iam acabar bem. Havia muitas distrações, muitas coisas presentes; não era possível acompanhar uma conversa sem escutar em volta os ruídos de todas as outras conversas em volta. Enfim, era um grande pandemônio, e naquelas condições era impossível trabalhar.
    Diante desta revelação, os outros também se sensibilizaram e decidiram fazer alguma coisa. Todos colocaram um par de óculos escuros, cera no ouvido e taparam o nariz com a ajuda de um pregador de roupas. Quando finalmente tiraram o pregador, a cera e os óculos, eram mais ou menos cegos e surdos como agora, mas em volta não tinha mais a confusão daquela época. Desta vez parecia, enfim, que havia silêncio.
Hermano Bencivenga
Tradução: Paula Carrara

OS POEMAS


Os poemas são como pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão
Eles não tem pouso
nem porto
alimentam-se um instante, em cada par de mãos
e partem
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
 
Mario Quintana
do livro “Esconderijos do Tempo” (1980)

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

sábado, 13 de agosto de 2011

Ed Bahia / Ai que Saudade D'ocê




Estava aqui pensando em como falar do Ed, fui ler um post antigo do meu blog www.zuzaz.blogspot.com e resolvi dividir com vocês...

6 de Setembro de 2009

Conheci essa música de Vital Farias cantada por Geraldo Azevedo somente há uns 3 anos, quando Ed Bahia me apresentou; era uma música com a qual ele se identificava muito por ter trabalhado como caminhoneiro e ter vivido a situação que a canção descreve, a saudade que quem está na estrada sente da pessoa amada distante.
Ela me levou a mais tarde descobrir o tesouro da música de Vital Farias, Geraldo Azevedo, Elomar e Xangai pelo fantástico álbum "Cantoria", uma música que conjuga uma verdade e simplicidade próprias da alma regional brasileira com uma desenvoltura técnica vocal e instrumental, uma riqueza poética e uma expressividade na interpretação impressionantes, um disco lindo.

Conheci Ed Bahia em 2006, quando o departamento de cultura de São Bernardo fundou o grupo Balaio Brasileiro e me convidou pra ser um dos coordenadores do projeto, a idéia era juntar alunos que se destacaram nas oficinas culturais da cidade e formar com eles um grupo musical. De lá pra cá muito mudou mas o grupo continua, atualmente sou o diretor musical do grupo e participo cantando e tocando (mais informações no blog:http://www.balaiobrasileiro.blogspot.com/, veja também vídeos no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=TxFYL5OqDhs&feature=related).

Ed era um dos percussionistas do grupo (com alfaia na mão) mas sua intenção real era cantar, ele compunha, tocava um pouco de violão e cantava; "Ai que saudade de ocê" foi a canção que ele sugeriu, que acabou entrando no repertório com ele cantando. A 1a estrofe da canção era meio declamada, cantada bem lentamente, sem pulso, bem livre... e o engraçado é que ele sempre se emocionava, as vezes chorava e não conseguia seguir a estrofe até o fim. Depois de algumas vezes virou uma piada interna do grupo: "será que o Ed vai chorar desta vez?" Ele se explicava, dizia que via a esposa na platéia e lembrava das tantas vezes que estava longe dela, na estrada, ouvindo a música que estava prestes a cantar... e aí não tinha como, chorava mesmo!

Ele era uma daquelas pessoas alegres, cheias de vida, de temperamento forte, se orgulhava da "nacionalidade" baiana (daí o nome artístico) e se envolvia emocionalmente em tudo que fazia, sua relação com música era daquelas fortes e diretas, tocava e cantava o suficiente para transmitir o que carregava o peito, sem maiores preocupações.
No dia 24 de Junho de 2009, Ed morreu vítima de um acidente na BR-381 em Pouso Alegre, ele estava a serviço, seu caminhão havia quebrado e ele estava no acostamento quando outro caminhão o atropelou.

Apesar de ele estar afastado do grupo há aproximadamente um ano, o choque foi grande, e agora que estamos num momento de renovação de repertório não poderíamos deixar de pensar em uma homenagem, "Ai que saudade de ocê" vai voltar ao repertório com outro arranjo, hoje fiz um trecho do arranjo vocal que o grupo cantará, gravei só com a minha voz e fiz uma montagem com alguns trechos de comentários do Ed Bahia gravados de shows. Não sei bem de que a arte serve nessas ocasiões, será que ela pode de alguma forma dar sentido a essas fatalidades estúpidas?
De qualquer forma gostaria que ouvissem abaixo. Tenho certeza que o arranjo vai ficar lindo, e o interessante é que já no ensaio me senti como Ed Bahia, incapaz de conter a emoção, cantando com a voz embargada pelo choro que quer sair.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Renato Teixeira


RENATO TEIXEIRA POR ELE MESMO


Confesso que não é nada fácil ter que contar minha história. Viver é uma coisa tão normal, que não vejo diferença nenhuma entre a vida de um artista e de qualquer pessoa. Entretanto, num determinado momento de nossa carreira, o trabalho que realizamos começa a ganhar notoriedade e a curiosidade aumenta, então a gente conta alguma coisa...

Muitos estranham o fato da minha música ter origens caipiras e eu ser caiçara, nascido em Santos. Vejo isso como uma questão puramente familiar; são fatos circunstanciais, apenas. Passei a infância em Ubatuba e a adolescência no interior do Estado. Meu pai melhorou de emprego com essa mudança; eu e meu irmão já estávamos em idade escolar; Taubaté, naquele momento, era mais conveniente. Mudamos para lá. E foi muito bom! A música, em Ubatuba, já fazia parte do meu dia-a-dia.

Das atividades familiares a que mais me interessava era a música; todos tocavam e alguns eram, verdadeiramente, músicos. Eu poderia ter sido fogueteiro como meu avô Jango Teixeira, que tocava bombardine na banda. Poderia ter sido professor como meu avô paterno, Theodorico de Oliveira, que tem uma linda história intelectual com a poesia e a literatura.

Mas a música não me deixou espaços. Quis ser arquiteto por influência de um verso de Manuel Bandeira pregado na parede do atelier do Romeu Simi,; " Passou a arquitetura, ficou o verso." Vim para São Paulo no final dos anos sessenta, por indicação de Luiz Consorte que colocou uma fita com minhas músicas nas mãos de seu tio, Renato Consorte, que a enviou para os ouvidos do Walter Silva. Dei sorte! O Walter era um grande promotor de novos artistas e um homem muito conhecido nos meios de comunicação. As portas se abriram e, logo eu estava no Festival da Record de 67. Minha música era Dadá Maria e foi defendida pela Gal Costa (também em começo de carreira) e pelo Silvio César. Mas, no disco do festival, quem canta com Gal sou eu. Foi minha primeira gravação. Participei daquela fatia da história da MPB como um espectador privilegiado.

Sempre procurei conhecer a nossa história musical, ouvir todas as canções e todos os gêneros. Do samba à música caipira. Em tudo que ouvi sempre deparei com o talento e a vocação dos compositores brasileiros. A geração musical que frutificou da Bossa Nova, nos anos sessenta era chocante. Uma linda síntese de tudo que aconteceu de essencial na música brasileira até então. Foi uma festa. Ouvi a Banda do Chico em São José dos Campos, antes do festival e foi um impacto inesquecível. Ainda morava em Taubaté.

Ouvi Milton Nascimento antes do sucesso, e era deslumbrante. Todos que o conheceram nessa época, já tinham por ele uma admiração que só os grandes mitos podem desfrutar. Vimos e ouvimos Elis, todos os dias. Assisti bem de perto o surgimento do Tropicalismo. Na virada dos anos sessenta para os setenta a música silenciou. Fui fazer jingles publicitários para sobreviver. Acontece que gostei muito do assunto.

Enquanto atuei nessa área consegui realizar um bom trabalho, pois criei jingles que fizeram muito sucesso como aqueles do Ortopé, do Rodabaleiro e do Drops Kids Hortelã, que muita gente lembra até hoje. Nesse tempo já havia me identificado totalmente com a música caipira. Participei efetivamente da Coleção Música Popular Centro Oeste/ Sudeste do Marcos Pereira onde gravei algumas canções; entre elas: "Moreninha Se Eu Te Pedisse ". Com meus lucros publicitários e em parceria com Sérgio Mineiro, criei o Grupo Água, que nós dois bancávamos.

Tocávamos sem visar lucros. Foi com esse grupo que consegui assimilar o espírito da cultura caipira e projetá-la de uma forma contemporânea para todo o Brasil. Tocamos muitos anos juntos até que, um dia, a Elis gravou Romaria e convidou o grupo para acompanhá-la na gravação. Foi um grande sucesso que mudou minha carreira e criou um grande espaço para que a música do interior paulista invadisse o mercado. Hoje vivemos um processo seletivo e a tendência é que, cada vez mais, as pessoas entendam o que Elis quis dizer, quando gravou Romaria.

A parceria com Almir Sater é um grande momento na minha história. Juntos compomos alguns sucessos que são fundamentais para a sustentação das nossas carreiras. As mais conhecidas são Um Violeiro Toca e Tocando Em Frente. Outra parceria importante foi com a dupla Pena Branca e Xavantinho. Nosso encontro foi em Aparecida do Norte no início dos anos oitenta e, juntos gravamos o disco "Ao Vivo em Tatuí", que se transformou num marco no gênero. Aprendi muito com esses dois companheiros, verdadeiros representantes da cultura caipira.

A morte de Xavantinho foi prematura, sua partida impediu que pudéssemos usufruir mais da voz deste que, na minha opinião, foi um dos maiores cantores brasileiros de todos os tempos. Meu projeto de vida é dar continuidade ao meu sonho de divulgar e difundir cada vez mais o espírito do caipirismo valeparaíbano; não pela repetição das velhas formas e sim pelo potencial que esse Universo cultural oferece para que, como sempre, a música brasileira avance em direção ao futuro, coerente com a evolução, naturalmente moderna.
http://www.renatoteixeira.com.br/site/


Biografia

Cantor. Compositor. Passou a infância em Ubatuba, SP, indo aos 14 anos para Taubaté, onde viveu até os 24 anos. No início dos anos 1960 trabalhou como radialista na Rádio Difusora de Taubaté, onde através do discotecário Teodoro Israel, tomou conhecimento da música sertaneja. Mudou-se para São Paulo em 1967, onde no Bar Patachou, na Rua Augusta, dividiu mesas e debates com artistas de sua geração, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gal Costa e Geraldo Vandré.



Dados Artísticos

Em meados dos anos 1960 formou a "Banda Água" e abriu um estúdio de jingles publicitários. Em 1967 participou do III FMPB, na TV Record em São Paulo, com a composição "Dadá Maria", sendo defendidaa por Gal Costa e classificada entre as finalistas. A mesma composição seria posteriormente regravada por Clara Nunes e Sílvio César. Em 1968 participou do IV FMPB da TV Record, com a composição "Madrasta", interpretada por Roberto Carlos. Em 1972 conseguiu classificar sua composição "Marinheiro" para o VII FIC da TV Globo. No mesmo período participou da série  de discos dirigida por Marcus Pereira, "Música Popular Brasileira", no volume "Música do Centro-Oeste-Sudeste". Por essa época, começou a trabalhar com os velhos temas caipiras, com a "Banda Água", formada por Carlão de Souza, Sérgio Mineiro, Rodolfo Grani, Oswaldinho do Acordeom, Dudu Pontes, Marcinho Werneck, Papete, Luiz Roberto de Oliveira, Nelson Ayres  e Amilson Godoy. Começou gradativamente a migrar de gênero musical, procurando entretanto mesclas de diversas tendências e estilos musicais. Em 1977  sua composição "Romaria" foi gravada por Elis Regina, tornando-se rapidamente um estrondoso sucesso em todo o país, alterando até velhos preconceitos, ao afirmar convictamente no refrão: "Sou caipira". "Romaria" foi gravada, entre outros, por Tião Carreiro e Pardinho, Sérgio Reis, Pedro Bento e Zé da Estrada, Leandro e Leonardo, Inezita Barroso, Chitãozinho e Xororó, João Mineiro e Marciano, Fábio Júnior, Paçoca, pelo pianista americano Richard Clayderman e também pelo grupo de rock paulista Dr. Jack. A música entrou ainda para a trilha sonora da série da TV Globo "Carga pesada". O poeta Haroldo de Campos em entrevista à revista "Veja" fez elogios à letra de "Romaria", considerando-a uma das melhores da música brasileira nos anos 1970.
Em 1987, teve as composições "Ave marinha", parceria com Almir Sater e Kapenga e "Homem não chora", gravadas no CD da cantora Alzira Espíndola. Em 1989, a música "Sanfona", parceria com Cezar do Acordeom foi gravada no LP "Forró bom! - É do ABC!!!", da gravadora Musicolor/Continental" na interpretação de Cezar do Acordeom. Em 1990, a dupla Pena Branca e Xavantinho gravou a toada-balanço "60 léguas num dia" e "Seu" Chico Alves" no LP "Cantadô de mundo afora". Em 1985 participou do disco "Grandes cantores sertanejos", da Kuarup, ao lado de Xangai, Cida Moreira, Elomar, Sivuca e Geraldo Azevedo, entre outros. Em 1992 lançou pela gravadora Kuarup o CD "Renato Teixeira e Pena Branca e Xavantinho". No mesmo ano recebeu o Prêmio Sharp. Em 1997 participou do disco "Cantorias e cantadores", também pela Kuarup. Entre seus grandes sucessos estão "Sina de violeiro", regravada em 1996 por Sérgio Reis, e "Tocando em frente", parceria com Almir Sater, e presenças constantes em seus shows. Realiza uma média de dez shows por mês, principalmente na região do Vale do Paraíba, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso. Ainda em 1997 realizou o show "30 anos de carreira" no Canecão no Rio de Janeiro. Um de seus principais parceiros é Almir Sater, com quem compôs, entre outras, "Boiada", "Missões naturais", "Terra dos sonhos" e "Trem de lata". Em 1998 lançou pela Kuarup o CD "30 anos de romaria", com uma retrospectiva de sua carreira. Em 1999 gravou ao vivo com Xangai o CD "Aguaterra", em show realizado na sala Adoniran Barbosa em São Paulo, contando com as participações especiais de Natan Marques e Cassio Poleto. Na ocasião interpretou de sua autoria "Olhos profundos", "Guardiões da floresta" e "João Alegre". Em 2000 lançou com o multicordas Natan Soares o CD "Alvorada brasileira", no qual interpreta antigos sucessos como "Rural" e "Invernada", e novas músicas como a country "Transformação". O disco contou ainda com a participação de Oswaldinho do Acordeom, na faixa "Jaci" e do violinista Cássio Poleto na faixa "Tutu com torresmo". Em 2002 teve a música "Pequenina" gravada por Xangai no CD "Brasileirança". Ainda no mesmo ano, exibiu-se em espetáculo no Rio de Janeiro acompanhado por sua filha, nova cantora por ele lançada. Também no mesmo ano, apresentou-se no Teatro da UFF em Niterói no Rio de Janeiro juntamente com Pena Branca, Elomar, Teca Calazans e Xangai no show "Cantoria brasileira", comemorativo aos 25 anos da gravadora Kuarup. Ainda no mesmo ano, participou do CD "Cantoria brasileira" comemorativo dos 25 anos da gravadora Kuarup, juntamente com Pena Branca, Elomar, Teca Calazans e Xangai.
Em 2003, apresentou-se em show no Canecão juntamente com Pena Branca apresentando canções como "Romaria"; "Amanheceu" e "Tocando em frente", de sua autoria, além de "Cio da terra", de Milton Nascimento e Chico Buarque e "Canto do povo de um lugar", de Caetano Veloso. Nesse mesmo ano, fez participação especial no CD "Alma Lavada", lançado por Cláudio Lacerda, interpretando com o mesmo, "Olhos profundos", de, de sua autoria.  Em 2005, apresentou-se no programa "Viola, minha viola", comandado por Inezita Barroso, na TV Cultura de São Paulo. Também nesse ano, lançou CD com Rolando Boldrin em que confirma seu sotaque caipira. O disco revisita obras de compositores de todo o país e mereceu boa aceitação da crítica especializada.Traz destaques como, entre outras, "Ventania", de Geraldo Vandré e Hilton Acioly, que concorreu, também com o subtítulo "De como um homem perdeu seu cavalo e continuou andando", no Festival da Record de 1967, "Tempero das aves", do próprio Boldrin, "Vaca estrela e boi fubá", de Patativa do Assaré, "Acorda Maria Bonita", atribuída ao cangaceiro Volta Seca (Antonio dos Santos), do bando de Lampião, além de passar por obras de Lupicínio Rodrigues e até Chico Buarque, na composição tema para a peça "Morte e vida severina", sobre o poema de João Cabral de Melo Neto. O disco conta com participações como as de Almir Sater, que  toca viola (no clássico "Chico Mineiro", de Francisco Ribeiro e Tonico, da dupla com Tinoco), Paulo Sérgio Santos, no clarinete e Rodrigo Sater e Chico Teixeira nas cordas. Em 2007, sua composição "Romaria" foi escolhida para ser interpretada com variações, por Inezita Barroso, em dueto com a cantora lírica Nize de Castro Tank, juntamente com "Luar do sertão", de Catulo da Paixão Cearense, no CCBB - Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, em duas sessões da série "Líricas e Populares". No mesmo ano, lançou CD/DVD gravado ao vivo no auditório Ibiapuera no qual fez uma revisão de sua carreira. O CD contou com as participações especiais de Pena Branca na faixa "Quando o amor se vai", Chitãozinho e Xororó na canção "Frete", a cantora Joana em "Recado", e o argentuino Leo Gieco na composição "La cigarra". Em novembro de 2008, apresentou-se no programa "Viola, minha viola" apresentado por Inezita Barroso, na TV Cultura, acompanhado do filho Chico Teixeira que já toca com ele há cinco anos. Na ocasião cantaram as músicas "Guardiões das florestas", de sua autoria, "Fogo no Paraná", de João do Vale, "Pai e filho", uma versão sua e do filho Chico, para a canção "Father's and son's", de Cat Stevens, e "Rapaz caipira", de sua autoria. Em junho e julho de 2009, participou do Circuito Syngenta de Viola Instrumental, ao lado de Levi Ramiro, Sidnei de Oliveira e Chico Moreira, tendo se apresentado no Teatro Municipal Paulínia e no Alpha Paulistano, ambos em São Paulo. No mesmo ano, participou da gravação do  DVD "Um Barzinho, Um Violão-Sertanejo", lançado pela Sony Music, cantando, ao lado da Cantora Ivete Sangalo, a música "Romaria", de sua autoria. O show, que foi gravado na Arena Country (SP), contou com artistas como Hugo & Tiago, Grupo Tradição, Fafá de Belém, João Bosco e Vinicius, Guilherme e Santiago, Cézar e Paulinho, entre outros. Ainda em 2009, teve participação especial na música "Contador de Causo", cantada Chico Teixeira, e lançada no CD da trilha sonora da novela "Paraíso", da Rede Globo de Televisão. Em setembro de  2010, gravou, com Sérgio Reis, o CD/DVD "Amizade sincera", pelo selo Som Livre. A intenção do  show, realizado no Teatro Bradesco, em São Paulo (SP), foi de realizar uma grande viagem pela música ruralista brasileira, com 20 faixas e 2 extras. O álbum contou com a participação especial de Paula Fernandes, na música "Tristeza do Jeca", e da dupla Victor & Léo, nas músicas "E Quando o Dia Nascer" e "Vida boa".  Em 2011, teve a sua música, "Tocando em frente" (c/ Almir Sater), gravada pela cantora e compositora Paula Fernandes, no DVD "Paula Fernandes ao vivo", lançado pela Universal Music. A faixa contou com a participação especial do cantor e compositor Leonardo. O álbum ultrapassou a marca de 700 mil cópias vendidas.



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